Geane Masago

Um espaço todo seu para puro deleite do leitor, aqui voce encontrará a poesia intimista. Seja bem vindo.

Wind love

sábado, 18 de maio de 2013

Carta à uma flor


Carta a uma Flor

Tentei fugir, juro que tentei, mas os meus olhos pardos não me deixaram.
Flor, meu coração chora, parte-se em lhe ver assim, já não mais encontro palavras para amenizar tamanha dor.

Você sabia que, existem dois tipos de palavras; aquelas que curam e outras que matam.
Estou vendo-te morrer dura e lentamente. Portanto há palavras que nos vem como bálsamos à alma.
Gostaria agora de ser uma jardineira de trazer-te no peito e lhe regar de amor - amor incondicional - tirar-lhe todas as dores.

Mas que posso eu fazer por ti? Gostava de tentar-lhe explicar que: só há uma única condição para que você possa reluzir neste imenso jardim. Lembrar-se de seus tons, do perfume que de ti exala.

_Quantas vezes você já chorou e ninguém nunca nem viu? Quantas vezes você sentiu sua alma queimar de tanta dor, sem nem quer saber o porque?
Sim eu sei, nada é tão fácil assim... Mas quem sabe um pequeno apelo de "Tente outra vez "; como já dizia em seu canto Raul Seixas.

Onde foi que perde-te seu brilho, em qual curva de um rio qualquer ou melhor ainda, em qual entulho de terreno baldio perdes-te seus sonhos? Onde, foi mesmo?!

Pois então, é passada hora, Flor vá lá, vá é tempo de resgate, autoestima, amor-próprio em primeiro lugar.

Sim, já sei, não precisa nada me dizer: choras agora! Pois, não chores. Uma verdadeira Flor nunca- jamais, chora, a não ser que seja de tanto amor, jamais por dor.

E lembre-se, o tempo não fora feito para todo o sempre, ele urge!
É tempo de renascer de ressurgir, quero ver esta flor florir pelos jardins da vida!
Uma flor para outra Flor!
Geane Masago
(15-05-2013)


 ............................................................................Resposta de uma Flor
Flor Poetisa
Desculpe minha demora em responder tua carta. 
Sei que explicar não justifica-a.
Sentir-se flor, não é brincadeira.
Saibas, no entanto, que tua carta despertou em mim múltiplos sentimentos.
Com meus olhos bem abertos acredito em ti.
Permitas ao teu coração pulsar de alegria e se dele emanarem lágrimas, que teus olhos sejam lavados por elas.
Como girassol, na minha rotatividade lenta fiquei presa e não consegui acompanhar a alucinada rapidez, que a felicidade requer para viver.
Girei em torno de mim mesma mais do que deveria? Talvez. Contudo, de vez em quando, isto é necessário. Por que, não?!
Até o planeta (masculino), Terra (feminino) com seu movimento de rotação carrega consigo tudo que carregamos. Com seu movimento de translação gira em torno do Sol num silêncio aparente.
Nada comenta, tudo curti, tudo compartilha à sua maneira.
Palavras balsâmicas para a alma, quem as sabe pronunciar de forma certeira a tirar todas as dores sentidas pelo corpo?
Qualquer autor já falecido, desencarnado, já de alma livre, leve e solta, ganha sopros de vida, através de quem os cita. E, quem os cita, humildemente empresta-lhe o corpo para suas ideias registradas nesta vida, nesta dimensão sobrevivam ao esquecimento.
Flor não chora, flor transpira o amor incondicional, despreconceituoso e verdadeiro.
O amor, o verdadeiro amor não se apossa da alma; permite-se viver.
Sou fogo, sou água
Sou terra, sou ar
Sou revolta, sou calmaria
Sou desejo, sou saciar
Sou espinho, sou flor
Sou vida, sou mulher
O que sentes a ti pertence.
Sei o que sinto
Sei o que digo
Sei o que quero
Sei o que faço
Sei o que sou.
Não se é poeta ou poetisa por querer alheio.
Quem assim é, é porque nasceu e carrega em si todos os sentimentos, que, quando libertos com palavras, despertam sonhos, lembranças, quereres, desejos, sorrisos, lágrimas, alegrias, tristezas, esperanças, incertezas e certezas. Uma delas: o mundo seria pior se não existissem poetas e poesias, escritas, faladas, cantadas, representadas.
Agradeço a linda mensagem, Flor Poetisa.
Meu carinhoso agradecimento chega a ti na flor mais linda, mais perfumada que possas imaginar. Para teu saber, a que escolhi, tive o cuidado de retirar todos os espinhos de seu caule, para não machucar-te.
Permita-te ser jardineira, plantes e cuides do teu jardim.
O tempo não urge, a vida é que urgentemente quer ser bem vivida.
Parabéns! Felicidades, Flor Poetisa!
"De uma Flor para outra Flor."
Beijos
Eliana Branco Gonzales

( I Parte)

......................................................................................Querida amiga Geane!
A natureza é sábia. As flores que têm espinhos não os têm por acaso.
É sabido que em Botânica, espinho é descrito como "um órgão axial ou apendicular, duro e pontiagudo, tais como os encontrados nas laranjeiras, resultantes da modificação de um ramo, folha, estípula ou raíz, constituído por tecido lignificado e vascular, e que se arrancado destrói o tecido subjacente.
Geralmente espinhos são estruturas modificadas. Nas cactáceas os espinhos, por exemplo, são catafilos (folhas modificadas, com menor grau de organização que folhas comuns) para evitar perda d'água.
Existem também estruturas semelhantes encontradas nos vegetais da família rósea, por exemplo, os quais não são espinhos, na verdade são denominados de acúleos os quais são uma espécie de pêlos enrijecidos compostos pela presença de lignina ou acúmulo de substâncias inorgânicas impregnadas junto à parede celular. Quando se destaca o espinho, há danos no vegetal por o espinho ter ligação com o cilindro vascular, diferentemente do acúleo que não possui este vínculo e é facilmente destacado, ficando no seu lugar uma "cicatriz”."
Sem estes, que seria das flores? 
As flores que têm espinhos encontram neles sua defesa.
Possivelmente, por não saber definir suas dores d'alma, o ser humano, analogamente as transformam em espinhos, quando sentem-se flores.
Muitos escritores, poetas, registraram a existência de seus espinhos. 
Por exemplo:

Cecília Meirelles, num de seus escritos registrou: 
"(...)
Eu deixo aroma até em meus espinhos
ao longe o vento vai falando em mim
E por perder-me é que me vão lembrando
É por desfolhar-me que não tenho fim."

Machado de Assis afirmou que:
"Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho, 
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!"

Cartola, também fez sua afirmação em sua composição "As rosas não falam". Música cantada e interpretada pela primeira vez em 1976, pela conhecida e reconhecida cantora Beth Carvalho. No vídeo que segue, um momento de pura emoção ao interpretá-la maravilhosamente. 

Alegro-me saber que minha amizade não é um espinho a machucar tua alma. 

Eliana Branco Gonzales
(II Parte)

Poesia de Katy de Souza


Carta de Amor
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"Em broto"

Então é parida a terra e desabrocha
o botão ali antes semente
rompe todo o lar que lhe era clausura
inclemente a umidade lhe abraça
desgasta, implode teu ser num ser minúsculo
frágil corpo a romper os meios
terra úmida impedimento e alimento
absorve a vida dessa que lhe é caminho
eis o ar, eis a luz, eis o broto a germinar
ali encontra um belo sopro ... em broto
a flor que rompe com o mundo
rasga a pele ... implode em claustro
e em beleza se oferece sem nada pedir
és flor novamente e dessa semente
sei ... sempre ... todos hão de florir!!!

- Kátia Golau Cariad -
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RL - 16/05/2013
T4292969

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